Atelier

Quando Sandro Barros resolveu abrir seu ateliê – não loja, ateliê – percebi imediatamente que não haveria nada de mais moderno e contemporâneo nos dias de hoje, embora muitas mulheres vão suspirar de nostalgia com a certeza de que os bons tempos voltaram.

Num mundo de fast fashion, em que se compra roupa por quilo, uma maison traz um certo conforto à alma, a certeza de que se está sendo cuidada por mãos artesanais, o maravilhamento diante de peças únicas e irreproduzíveis por seu preciosismo, como, aliás, convém a qualquer obra de arte. As criações de Sandro, não restam dúvidas, são obras de arte.

Ao entrar nesta casa irresistível, mulheres especiais vão se lembrar dos tempos em que faziam suas primeiras descobertas no universo da beleza.
Aquele carinho no pentear dos cabelos, da mãe que engomava com os dedos as saias rodadas, o apuro em ficar bonita para encontrar um grande amor, enfim o sentimento de ser enfeitada por mãos cuidadosas e olhares exímios que não pensam em outra coisa senão deixá-las bonitas.

E, como a beleza vem de dentro, é impossível não brilhar diante da felicidade de receber uma atenção toda especial, como se você fosse a única mulher sobre a face da Terra. Percorrendo o ateliê das costureiras, logo atrás do pátio verde da casa, vêm à mente as imagens das artesãs das grandes maisons de Paris nos anos 50 e 60, cujos nomes as clientes conheciam de cor, assim como os das vendeuses.
Cada mulher tinha a sua vendedora e sua costureira do coração, companheiras para toda vida, quase membros da família, que a vestiam para o casamento, a lua de mel, o batizado dos filhos, as bodas, enfim as grandes cerimônias que dão sentido à vida.

Em cachepôs delicados, repousam as famosas telas com as medidas das clientes de Sandro, testemunhas de momentos inesquecíveis de toda uma geração de mulheres, à espera das próximas.

O projeto de Sig Bergamin lembra os salons das maisons francesas adaptados à mulher contemporânea.
Estão lá todos os códigos que fazem parte do teatro da alta-costura: a escadaria de mármore sinuosa, os grandes espelhos, o lustre que paira sobre a mesa da entrada, o mural de referências do estilista, a seção de adereços, joias e sapatos, e, permita-me a indiscrição, uma porta secreta que leva ao cabinet de preciosidades, tesouros escondidos para mulheres igualmente preciosas.

E não é só a alta-costura; na seção dos vestidos prontos, cada peça está disposta de forma a contar sua própria história, à espera de uma protagonista que a deixará ainda mais belo e perfeito.

O negro da fachada, dos manequins, das folhas de magnólia importadas de Londres por Vic Meirelles e a única vitrine no segundo andar dão um certo ar de mistério e perenidade a esta casa na Rua Henrique Martins, 507, no coração de São Paulo, cidade onde todos os Brasis se encontram.

Do lado de fora, imaginam-se as reuniões com os talentos que colaboram com o criador – bordadeiras, plumeiras, rendeiras, joalheiras, chapeleiras, aderecistas – e se esmeram para alcançar nada menos do que a perfeição.

Ao mesmo tempo, tudo tem um ar de festa e alegria, com clientes passando para tomar um café (e champagne, claro) nesse oásis de criatividade pulsante, noivas fazendo suas últimas provas, mulheres encontrando os vestidos que as tornarão as mais bonitas da noite. E o reconhecidamente elegante e cavalheiro Sandro fazendo as honras da casa.

Porque não há nada mais elegante e cavalheiro do que deixar uma mulher feliz.

Bem-vinda
Bruno Astuto


atelier




costura